Ana Lucia Monteiro Maciel Golin
Orientador(a): Márcia Rodrigues de Souza Mendonça
Doutorado em Linguística Aplicada - 2024
Nro. chamada: TESE DIGITAL - G581g
Resumo: Partindo de uma perspectiva exploratória, esta tese busca configurar o elevator pitch, um gênero discursivo emergente, que compõe o ecossistema de inovação e de criação de startups, compreendendo tanto suas dimensões constitutivas – conteúdo temático, construção composicional e estilo – bem como a percepção de empreendedores/startupeiros que o performam, acerca de sua dinâmica de funcionamento. Vimos que a crescente necessidade de utilização do pitch em tais esferas ocorre para que os startupeiros apresentem seus modelos de negócios a uma determinada comunidade de interesse, no menor tempo possível. Na realização dessa performance, as startups buscam conectar-se com possíveis investidores e parceiros estratégicos para, de alguma maneira, alavancarem seus empreendimentos. Por esse motivo, mobilizam variados recursos linguísticos e estratégias discursivas, a fim de atingirem seus diferentes propósitos e expectativas interacionais. Adotamos um percurso investigativo multi e transdisciplinar, com o intuito de contemplar duas áreas de interesse: a Linguística Aplicada e a Administração. Nesse sentido, fundamentamos a pesquisa nos estudos básicos de empreendedorismo e inovação (Schumpeter, 1997; Dolabela, 1999; Dornelas, 2020; 2021), de startups (Ries, 2014), assim como da perspectiva dialógica do discurso (Bakhtin, 1992; Brait, 2010) e de algumas formulações de estudos na Nova retórica norte-americana em relação a como o gênero se materializa em seu contexto de uso. A metodologia adotada configura-se como qualitativa e descritiva (Gressler, 2003), e nosso corpus é constituído por seis pitches gravados em vídeo, performados em seu contexto de uso (eventos de criação de startups) e duas entrevistas semiestruturadas. Na pesquisa de campo, aplicamos as entrevistas com os startupeiros, ambos realizadores de alguns dos próprios pitches investigados. Tal procedimento permitiu-nos conhecer como os atores compreendem suas experiências com os discursos selecionados. Os resultados apontam que o startupeiro que faz um pitch deseja conquistar e envolver o ouvinte para o seu novo negócio, sendo a suposta espontaneidade de fala, na verdade, o resultado de um trabalho de planejamento meticuloso, coadunado aos objetivos a serem alcançados e ao tempo exíguo de apresentação. Por isso, os sujeitos apresentadores das startups usam recursos linguísticos e discursivos previamente esquematizados, sejam eles verbais ou não verbais. Em termos de construção composicional, há tópicos específicos esperados em um pitch, mas estes não são fixos, nem obrigatórios. Tais escolhas acabam interferindo no teor e na forma como serão explorados os enunciados de cada tópico; alguns startupeiros, por exemplo, podem optar por usar temáticas mais apelativas no storytelling, em vez de assuntos mais gerenciais e factuais do modelo de negócio. Conhecer as dimensões constitutivas do gênero, informadas também pela ótica dos empreendedores, oportunizou-nos uma melhor compreensão sobre os processos discursivos que envolvem o planejamento, a construção e a execução performática do elevator pitch.
Palavras-chave: Oralidade; Gênero discursivo; Comunicação empresarial; Startups; Tópico discursivo


