Sóstenes Renan de Jesus Carvalho Santos
Orientador(a): Cynthia Agra de Brito Neves
Doutorado em Linguística Aplicada - 2024
Nro. chamada: TESE DIGITAL - Sa59m
Resumo: O objetivo central desta tese é investigar de que modo se constituem e se entrelaçam as trajetórias em curso de seis poetas cearenses, negras, periféricas e trabalhadoras – e como surgiram e se efetivam os coletivos que elas idealizaram e integram: o Slam da Quentura, o Slam das Cumadis e o Slam das Minas Kariri. São analisados poemas autorais e performances apresentadas publicamente, visando a compreender como e por que o slam se estabelece em corpoéticas e como uma contraliteratura das ruas. A partir dos objetivos apresentados, esta pesquisa se caracteriza como exploratória (Gil, 2002), e tendo em vista os procedimentos técnicos utilizados, apresenta-se como bibliográfica, de caráter etnográfico e um estudo de campo (Gil, 2002), por meio da observação direta das participantes em coletivos e eventos de slams, além da realização de entrevistas, embasadas no conceito de entrevista compreensiva (Kaufmann, 2013). Os dados são analisados tendo por base direcionamentos teóricos da Linguística Aplicada Crítica e transgressiva (Pennycook, 1998, 2001, 2006), transdisciplinar (Celani, 1998; Kleiman, 1998; Moita Lopes, 1998), “INdisciplinar” (Moita Lopes, 2006; Moita Lopes et al., 2022), bem como um arcabouço de diferentes perspectivas teóricas: estudos sobre raça, gênero e identidade cultural nos contextos literários brasileiro e cearense (Lobo, 2007; Cuti, 2010; Albuquerque Júnior, 2011; Duarte, 2014; Mendes, 2016); letramentos transperiféricos (Souza, 2011; Windle et al., 2020; Muniz, 2020; Maia, 2017, 2022); teorizações sobre o fazer poético (Rancière, 2009; Moisés, 2019; Siscar, 2010; Derrida, 2014); estudos sobre corpo, voz e performance (Cavarero, 2011; Zumthor, 1993, 2018; Martins, 2003, 2021); teorias queer (Lauretis, 2019; Butler, 2000, 2019; Preciado, 2019; Pereira, 2020; Swain, 2020; Moita Lopes, 2022); discussões sobre identidade(s) (Bhabha, 2013; Barros, 2019; Polese, 2020; Appiah, 2018; Jones Manoel, 2023); teorias dos feminismos (hooks, 2019; González, 2020; Nascimento, 2021; Oy?wùmí, 2020, 2021; Lorde, 2020; Carneiro, 2019). Os resultados das análises levam às seguintes constatações: é evidente a reconfiguração de cenas e tensões históricas no decurso da produção e circulação literárias, graças à atuação das mulheres negras (autoras, poetas); nota-se a emergência de uma literatura marginal periférica aberta às/aos/es sujeitas/os/es que, historicamente, estiveram ao largo dos circuitos hegemônicos de produção e recepção de saberes e bens culturais; é observável a ebulição de coletivos e eventos de poesia falada e performances poéticas no interior do Ceará, por meio, principalmente, da articulação das poetas, slammers e produtoras nas comunidades onde vivem; são palpáveis as relações diretas entre esses movimentos e a necessidade de dar corpo, voz e ato às lutas contra o sexismo, o racismo e as desigualdades socioeconômicas; é notável que a poesia slam institui no Brasil um novo formato de literatura nas periferias e além delas, em que a palavra e a poesia podem ser cura e afetos em partilha
Palavras-chave: Poesia slam; Poetas; Slams das Minas; Performance (Arte); Corpoéticas


