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Dissertações e Teses – Detalhe

Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp

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"Porque é difícil a gente não conseguir se fazer entender, né?" : narrativas sobre ações de acolhimento a famílias migrantes internacionais na Educação Infantil

Verônica Carvalho de Deus

Orientador(a): Ana Cecília Cossi Bizon

Mestrado em Linguística Aplicada - 2024

Nro. chamada: DISSERTAÇÃO - D488p


Resumo: Vivendo em um mundo governado por uma globalização perversa (Santos, 2008), em que acompanhamos o encolhimento do Estado no atendimento de demandas sociais e a instauração de uma competição desenfreada pelo capital (Santos, 2008), temos presenciado o aprofundamento das desigualdades sociais e econômicas, acompanhado de guerras e projetos de devastação ambiental em favor do crescimento econômico (Camargo, 2018). Nesse cenário, o Brasil tem figurado como ponto de chegada ou de trânsito na rota de diversos grupos de refugiados e migrantes de crise (Baeninger; Peres, 2017), dentre eles, migrantes haitianos, que incluem o Brasil em sua rota a partir de 2011, após um terremoto que devastou parte importante das estruturas do Haiti. A maior presença de haitianos no Brasil causou um aumento na presença de crianças haitianas e de crianças brasileiras, filhas de haitianos, nas escolas da educação básica do país. Dentre as escolas que recebem filhos de haitianos, encontra-se um Centro de Educação Infantil (CEI) de Barão Geraldo, distrito da cidade de Campinas, interior do estado de São Paulo. Em 2021, o CEI buscou o contato do Grupo de Acolhimento em Línguas (GAL), do qual faço parte, para auxílio na comunicação com as famílias haitianas de sua comunidade escolar, a partir de então, o Grupo tem atuado ao lado do CEI realizando traduções sociais e interpretações comunitárias no par crioulo haitiano-português. O GAL é um grupo de tradutores e intérpretes bolsistas e voluntários, coordenado pela Profa. Dra. Ana Cecília Cossi Bizon, professora do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que atua junto de instituições de Campinas e região no planejamento e realização de ações de acolhimento a migrantes de crise e refugiados. Nesse contexto, a presente dissertação, afiliada à Linguística Aplicada Indisciplinar (Moita Lopes, 2006), sob uma ótica decolonial (Mignolo; Walsh, 2018; Walsh, 2019), busca explorar quais são os sentidos de acolhimento para o GAL e para o CEI e como são avaliadas, pelo CEI, as ações de tradução e interpretação realizadas pelo GAL na creche desde 2021. Para isso, analiso: i) entrevistas semiestruturadas realizadas com duas orientadoras pedagógicas do CEI, uma professora do CEI e um intérprete de crioulo haitiano do GAL; e ii) atas, relatórios, anotações, diários de campo e dossiês produzidos por mim desde o início da parceria entre o GAL e o CEI. Por meio dos dados, busco compreender como os participantes de pesquisa posicionam (Langenhove; Harré, 1999) os temas citados em suas narrativas (De Fina; Tseng, 2017; Fabrício, 2006a; Threadgold, 2005) e parto da teoria de diferenciação, de Gal e Irvine (2019), para analisar esses posicionamentos. Por fim, com base na presente pesquisa e em minha experiência como participante do GAL desde o seu início, proponho uma série de diretrizes interculturais (Maher, 2007) e multilíngues para o acolhimento de populações migrantes de crise no contexto da Educação Infantil e outros contextos relacionados.

Palavras-chave: Haitianos - migrações; Educação Infantil; Acolhimento; Tradução e interpretação; Políticas linguísticas

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