Danielle Coelho Lins
Orientador(a): Ana Cecília Cossi Bizon
Co-orientador(a): Wilma Favorito
Doutorado em Linguística Aplicada - 2024
Nro. chamada: TESE DIGITAL - L651v
Resumo: A presente pesquisa parte da necessidade apontada pelo Relatório MEC/SECADI (2014) de se investir em metodologias de ensino de português como segunda língua adequadas a pessoas surdas. Em um cenário histórico que privilegia o ensino da língua portuguesa como língua materna, faltam pesquisas que tratem do ensino dessa língua com estratégias pertinentes aos contextos de ensino de segunda língua para surdos. Esse estudo, portanto, através de cunho interpretativista e etnográfico (Pennycook, 2007; Moita Lopes, 2006a; Bizon, 2013), foi norteado pelas seguintes perguntas: Como os professores de Português e Literatura do INES representam a língua, o ensino de português para surdos e a proposta de ensino de PL2 dessa tese? Como estudantes surdos do INES representam a língua portuguesa, o ensino de português e as estratégias de ensino de português para surdos? O que essas representações emergidas dos estudantes sinalizam acerca de suas agentividades? Na tentativa de responder a esses questionamentos, a pesquisa foi feita com base em uma perspectiva socioconstrucionista e performativa de língua (Gonzalez; Moita Lopes, 2016; Goffman, 2004), na qual os participantes do estudo constroem suas narrativas e o que significam sobre elas no próprio devir da linguagem. A partir das narrativas de alunos do 6° ano do Instituo Nacional de Educação de Surdos (INES) e de professores da equipe de Língua Portuguesa e Literatura do instituto, procuram-se as representações (Favorito, 2006; Hall, 1997) que fazem sobre o português, o ensino de português e estratégias de ensino dessa língua. Para tal, são realizadas conversas (Ribeiro; Souza; Sampaio, 2018; Skliar, 2018) individuais e em grupo com os professores e os alunos, bem como uma oficina de português como língua adicional, ministrada pela autora dessa tese. Parte-se do pressuposto de que as representações emergidas das conversas fornecem pistas sobre o favorecimento, ou não, de agência (Butler, 1993) em determinados processos de ensino e aprendizagem de português. Dados os contextos dessa pesquisa, são pertinentes as concepções de posicionamento (Langenhove & Harré, 1999) e performatividade para a análise sobre como se posicionam em diferentes ambientes de aprendizagem. A análise dos dados mostrou que o uso de estratégias baseadas em princípios translígues (García; Wei, 2014; Canagarajah, 2013), socioconstrucionistas, dialógicos, de língua em uso, afiliados às noções de gêneros discursivos e letramento crítico pode favorecer a construção de agência por parte de indivíduos surdos em aulas de português como língua adicional (Schalatter; Garcez, 2009; Müller, 2016). Ao final, a presente pesquisa apresenta um protocolo de estratégias que, se associado aos princípios utilizados na oficina dessa tese, pode contribuir na construção de agência em salas de aula de português língua adicional com pessoas surdas.
Palavras-chave: Agência; Ensino - Metodologia; Estudantes surdos; Pensamento crítico; Performatividade


